{"id":1353,"date":"2022-01-10T16:42:22","date_gmt":"2022-01-10T19:42:22","guid":{"rendered":"http:\/\/inct-bionat.iq.unesp.br\/?p=1353"},"modified":"2022-01-10T16:42:22","modified_gmt":"2022-01-10T19:42:22","slug":"biotecnologia-azul-desafios-e-oportunidades","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/inct-bionat.iq.unesp.br\/en\/biotecnologia-azul-desafios-e-oportunidades\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas do Brasil) Biotecnologia azul: desafios e oportunidades"},"content":{"rendered":"<p class=\"qtranxs-available-languages-message qtranxs-available-languages-message-en\">Sorry, this entry is only available in <a href=\"http:\/\/inct-bionat.iq.unesp.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1353\" class=\"qtranxs-available-language-link qtranxs-available-language-link-pb\" title=\"Portugu\u00eas do Brasil\">Portugu\u00eas do Brasil<\/a>. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in the alternative language. You may click the link to switch the active language.<\/p><p><i>Leticia Veras Costa-Lotufo, professora do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da USP, e T\u00e1ssia Biazon, pesquisadora da C\u00e1tedra Unesco para Sustentabilidade do Oceano<\/i><\/p>\n<blockquote>\n<div id=\"attachment_1356\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1356\" class=\"wp-image-1356 size-thumbnail\" src=\"http:\/\/inct-bionat.iq.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/20220105_leticialotufo-PNG-150x150.png\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"http:\/\/inct-bionat.iq.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/20220105_leticialotufo-PNG-150x150.png 150w, http:\/\/inct-bionat.iq.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/20220105_leticialotufo-PNG-300x300.png 300w, http:\/\/inct-bionat.iq.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/20220105_leticialotufo-PNG-146x146.png 146w, http:\/\/inct-bionat.iq.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/20220105_leticialotufo-PNG-50x50.png 50w, http:\/\/inct-bionat.iq.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/20220105_leticialotufo-PNG-80x80.png 80w, http:\/\/inct-bionat.iq.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/20220105_leticialotufo-PNG-75x75.png 75w, http:\/\/inct-bionat.iq.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/20220105_leticialotufo-PNG-85x85.png 85w, http:\/\/inct-bionat.iq.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/20220105_leticialotufo-PNG.png 420w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><p id=\"caption-attachment-1356\" class=\"wp-caption-text\">Let\u00edcia Lotufo<\/p><\/div>\n<p><span class=\"wpsdc-drop-cap\">H<\/span>\u00e1 mil\u00eanios, a humanidade retira recursos do mar para o seu proveito, como o sal de cozinha e o pescado, consumidos diariamente ao redor do mundo. Mas, voc\u00ea sabia que um dos f\u00e1rmacos para o tratamento contra o HIV, o Retrovir\u00ae, foi desenvolvido a partir de uma subst\u00e2ncia isolada da esponja caribenha <em>Cryptotethya crypta<\/em> ou mesmo que o sangue do caranguejo-ferradura (<em>Limulus polyphemus<\/em>) \u00e9 usado h\u00e1 d\u00e9cadas para detectar contaminantes ambientais? Esses s\u00e3o alguns exemplos de usos da recente \u00e1rea de conhecimento denominada Biotecnologia Azul ou Biotecnologia Marinha, que envolve a aplica\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e da tecnologia em organismos marinhos para a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, bens e servi\u00e7os para a sociedade.<\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_1357\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1357\" class=\"wp-image-1357 size-thumbnail\" src=\"http:\/\/inct-bionat.iq.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/20200928_tassia-biazon2-150x150.png\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"http:\/\/inct-bionat.iq.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/20200928_tassia-biazon2-150x150.png 150w, http:\/\/inct-bionat.iq.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/20200928_tassia-biazon2-300x300.png 300w, http:\/\/inct-bionat.iq.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/20200928_tassia-biazon2-146x146.png 146w, http:\/\/inct-bionat.iq.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/20200928_tassia-biazon2-50x50.png 50w, http:\/\/inct-bionat.iq.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/20200928_tassia-biazon2-80x80.png 80w, http:\/\/inct-bionat.iq.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/20200928_tassia-biazon2-75x75.png 75w, http:\/\/inct-bionat.iq.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/20200928_tassia-biazon2-85x85.png 85w, http:\/\/inct-bionat.iq.unesp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/20200928_tassia-biazon2.png 420w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><p id=\"caption-attachment-1357\" class=\"wp-caption-text\">Tassia Biazon<\/p><\/div>\n<p>Os resultados dessas aplica\u00e7\u00f5es envolvem a transforma\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas ou biomassa obtida de microrganismos, algas, invertebrados e vertebrados, em produtos nutrac\u00eauticos (aliment\u00edcios), farmac\u00eauticos, cosm\u00e9ticos, entre outros. Alguns exemplos s\u00e3o subst\u00e2ncias para produ\u00e7\u00e3o de medicamentos, extra\u00e7\u00e3o de col\u00e1geno de esponjas, controle de pragas, algas com fun\u00e7\u00f5es nutritivas e muito mais! Al\u00e9m disso, os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos oferecidos pela biodiversidade marinha t\u00eam um papel importante na restaura\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o do ambiente marinho. Sendo assim, existem m\u00faltiplas oportunidades de empreender e inovar utilizando os recursos gen\u00e9ticos marinhos.<\/p>\n<p>E estes s\u00e3o variados, j\u00e1 que os organismos marinhos vivem em condi\u00e7\u00f5es ambientais bem distintas dos organismos terrestres, como a elevada press\u00e3o e baixa luminosidade na maior parte do mar, conferindo a eles um metabolismo peculiar. Dos 31 filos animais conhecidos, quase metade s\u00e3o exclusivamente marinhos, mas, atualmente, conhecemos apenas cerca de 10% das esp\u00e9cies marinhas no mundo, considerando as estimativas apresentadas por Mora e colaboradores em 2011, no estudo denominado <em><a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosbiology\/article?id=10.1371\/journal.pbio.1001127\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">How many species are there on earth and in the ocean?<\/a><\/em>. No Brasil, n\u00e3o h\u00e1 dados concretos sobre o tamanho da biodiversidade marinha, mas h\u00e1 uma expectativa de elevado grau de endemismo, dada \u00e0 diversidade de habitats e \u00e0 extens\u00e3o e \u00e0s peculiaridades da nossa costa.<\/p>\n<p>Neste contexto, \u00e9 fundamental investir no conhecimento da biodiversidade marinha, sendo que nas \u00faltimas d\u00e9cadas v\u00e1rios programas foram lan\u00e7ados com finalidade de inventari\u00e1-la em \u00e2mbito mundial, como o Censo da Vida Marinha, e nacional, como o Programa de Avalia\u00e7\u00e3o do Potencial Sustent\u00e1vel de Recursos Vivos na Zona Econ\u00f4mica Exclusiva (Revizee), Programa Nacional da Diversidade Biol\u00f3gica (Pronabio) e Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade (Sisbiota), e estadual, como o Programa Biota Fapesp. Esse esfor\u00e7o trouxe \u00e0 luz do nosso conhecimento centenas de esp\u00e9cies dos mais diversos grupos, de bact\u00e9rias a peixes, mas tamb\u00e9m revelou lacunas importantes nesse conhecimento.<\/p>\n<p>Dentre essas lacunas h\u00e1 as oportunidades de empreender com os recursos gen\u00e9ticos marinhos, o que envolve desde coisas t\u00e3o simples como divulgar conhecimento existente at\u00e9 o complexo processo de desenvolver bioprodutos como um medicamento para uso no tratamento do c\u00e2ncer. Neste contexto, Erwin e colaboradores em 2010, conforme o artigo <em><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0921800910003897\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">The pharmaceutical value of marine biodiversity for anti-cancer drug discovery<\/a><\/em>, ofereceram uma estimativa monet\u00e1ria para o valor farmac\u00eautico da biodiversidade marinha a partir do potencial de descoberta de medicamentos para tratar o c\u00e2ncer. Ponderando alguns cen\u00e1rios, os autores revelaram que pode haver at\u00e9 600 mil subst\u00e2ncias qu\u00edmicas em organismos marinhos com essa fun\u00e7\u00e3o, enquanto mais de 90% estariam aguardando sua descoberta. Essa diversidade qu\u00edmica, proveniente de filos animais e microorganismos como bact\u00e9rias e fungos, pode levar ao desenvolvimento de mais de 200 novos medicamentos antic\u00e2ncer, o que pode equivaler a um valor entre U$ 563 bilh\u00f5es e U$ 5,69 trilh\u00f5es.<\/p>\n<p>O modelo utilizado pelos autores pressup\u00f4s, com base em informa\u00e7\u00f5es existentes, que as descobertas pendentes seguiriam as tend\u00eancias observadas para as mol\u00e9culas at\u00e9 ent\u00e3o descobertas e f\u00e1rmacos previamente desenvolvidos. Assim, deve-se considerar tamb\u00e9m o vi\u00e9s de amostragem, que sem d\u00favida afeta esse resultado, uma vez que os mares em regi\u00f5es temperadas t\u00eam sido sistematicamente investigados, representando a fonte de cerca de 62% dos bioprodutos marinhos. J\u00e1 as regi\u00f5es tropicais, por sua vez, t\u00eam sido historicamente pouco estudadas. H\u00e1 que se ressaltar que na \u00e9poca em que esse trabalho foi publicado existiam apenas 2 medicamentos baseados em produtos naturais marinhos aprovados para uso cl\u00ednico contra o c\u00e2ncer. Mas na \u00faltima d\u00e9cada esse n\u00famero subiu para 12, o que supera muito as previs\u00f5es feitas originalmente. No Brasil, infelizmente, temos apenas dois medicamentos baseados em produtos naturais aprovados para uso cl\u00ednico, o Acheflan como anti-inflamat\u00f3rio e o Heleva para disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til.<\/p>\n<p>Dois pilares centrais que devem ser incorporados para avaliar o sucesso de iniciativas de empreendedorismo no ambiente marinho n\u00e3o foram considerados neste estudo. Eles incluem o est\u00edmulo a cadeias produtivas com envolvimento das comunidades locais, portanto incorporando o ganho econ\u00f4mico-social, e a promo\u00e7\u00e3o da sustentabilidade, minimizando os impactos ambientais dessa atividade, elementos alinhados com os objetivos da D\u00e9cada do Oceano.<\/p>\n<p>H\u00e1 algumas iniciativas brasileiras ganhando destaque, como o cultivo de algas para a ind\u00fastria de alimentos e de cosm\u00e9ticos no nordeste, mostrando que \u00e9 poss\u00edvel criar um neg\u00f3cio ambientalmente e socialmente sustent\u00e1vel no ambiente marinho. Esse \u00e9 o exemplo do projeto \u201cMulheres de Corpo e Alga\u201d, desenvolvido na comunidade da Barrinha, em Icapu\u00ed, Cear\u00e1, que coloca em pr\u00e1tica o cultivo sustent\u00e1vel de algas no lugar do extrativismo predat\u00f3rio. H\u00e1 tamb\u00e9m a empresa Agar Brasileiro, que desenvolve a produ\u00e7\u00e3o de algas de diferentes g\u00eaneros ao longo do litoral dessa regi\u00e3o, como <em>Gracilaria<\/em>, <em>Kappaphycus<\/em>, <em>Hypnea<\/em> e <em>Gigartina<\/em>. Al\u00e9m disso, pode-se citar o potencial de produ\u00e7\u00e3o de microalgas de origem marinha para a produ\u00e7\u00e3o de biodiesel pelo Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes).<\/p>\n<p>A exemplo da Floresta Amaz\u00f4nica e sua riqu\u00edssima diversidade, h\u00e1 muito potencial biotecnol\u00f3gico a ser explorado no mar brasileiro. Para tanto, \u00e9 necess\u00e1rio promover o desenvolvimento cient\u00edfico, o que requer identificar um problema ou uma demanda da sociedade, planejar estrat\u00e9gias para reunir evid\u00eancias que subsidiem conclus\u00f5es sobre o tema e, buscar um financiamento. E esse tem sido um ponto cr\u00edtico no Brasil. Embora existam programas de financiamento voltados ao pequeno empreendedor no Brasil (Pipe, Pite, Centelha etc.), um caminho para potencializar a biotecnologia marinha por aqui \u00e9 diminuir a lacuna existente entre universidades e ind\u00fastrias. O projeto de produ\u00e7\u00e3o de biomassa de <em>Hypnea pseudomusciformis<\/em> para ind\u00fastria de bioestimulantes de crescimento vegetal aplicados \u00e0 agricultura \u00e9 um exemplo de pesquisa inovadora em pequena empresa (Pipe) apoiado pela Fapesp.<\/p>\n<p>O oceano \u00e9 um manancial de biodiversidade que pode trazer diversos benef\u00edcios para a humanidade. Mas para que esse potencial se realize precisamos proteger essa biodiversidade e ampliar a nossa capacidade de estud\u00e1-la e utiliz\u00e1-la sustentavelmente. Para isso, precisamos de pol\u00edticas de estado, estruturantes e duradouras, voltadas para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade marinha e para a produ\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia e tecnologia, que venham a promover uma transi\u00e7\u00e3o efetiva para essa nova realidade, alinhando o oceano e a sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sorry, this entry is only available in Portugu\u00eas do Brasil. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in the alternative language. 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